Um estudo publicado no periódico JAMA Psychiatry comparou diretamente a eficácia do mindfulness com o uso de antidepressivos no tratamento do transtorno de ansiedade generalizada — e os resultados surpreenderam a comunidade médica. A prática de meditação baseada em atenção plena se mostrou tão eficaz quanto a escitalopram, uma das medicações mais prescritas para ansiedade, com a vantagem de não produzir efeitos colaterais.
A pesquisa acompanhou 276 adultos com diagnóstico de transtorno de ansiedade durante oito semanas. Um grupo participou de um programa de redução de estresse baseado em mindfulness (MBSR); o outro recebeu tratamento farmacológico. Ao final, ambos os grupos apresentaram redução equivalente nos sintomas de ansiedade — mas o grupo do mindfulness relatou significativamente menos efeitos adversos.
Brasil Lidera Ranking de Ansiedade no Mundo
O dado é alarmante: o Brasil é o país com maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo, segundo a OMS. Estima-se que mais de 18 milhões de brasileiros sofram com algum tipo de transtorno ansioso — número que cresceu substancialmente após a pandemia de Covid-19 e que continua em alta em 2026.
Com o sistema público de saúde sobrecarregado e o acesso à psicoterapia ainda limitado para grande parte da população, práticas como o mindfulness surgem como alternativas acessíveis, de baixo custo e com eficácia comprovada para reduzir o sofrimento causado pela ansiedade.
O Que É o Mindfulness e Como Ele Age no Cérebro
Mindfulness — ou atenção plena — é a prática de direcionar a consciência de forma intencional para o momento presente, observando pensamentos, emoções e sensações corporais sem julgamento. Desenvolvida como prática meditativa nas tradições budistas há mais de 2.500 anos, foi adaptada para o contexto clínico ocidental pelo Dr. Jon Kabat-Zinn na Universidade de Massachusetts nos anos 1970.
Neurociências mostram que a prática regular de mindfulness produz mudanças estruturais mensuráveis no cérebro:
- Redução da atividade da amígdala — a região cerebral responsável pela resposta ao medo e à ameaça
- Aumento da espessura do córtex pré-frontal — associado à tomada de decisão racional e à regulação emocional
- Fortalecimento das conexões entre o córtex pré-frontal e a amígdala — melhorando a capacidade de “frear” reações automáticas de ansiedade
- Redução dos níveis de cortisol — o principal hormônio do estresse
Mindfulness no SUS e nas Escolas
Motivado pelas evidências científicas acumuladas, o Ministério da Saúde incluiu a meditação e as práticas corporais como parte das PICs (Práticas Integrativas e Complementares) oferecidas pelo SUS. Programas de mindfulness também têm sido implementados em escolas públicas de estados como São Paulo e Minas Gerais, com resultados positivos na redução da ansiedade e no aumento do foco de estudantes.
Como Começar a Praticar Mindfulness
Para quem deseja começar, especialistas recomendam iniciar com sessões curtas de 5 a 10 minutos diários, focando apenas na respiração. A consistência é mais importante do que a duração — praticar todos os dias por pouco tempo traz mais benefícios do que sessões longas e esporádicas.
Aplicativos, vídeos no YouTube e cursos online facilitaram enormemente o acesso à prática. Para quem deseja se aprofundar e eventualmente ensinar meditação para outras pessoas, uma formação certificada é o caminho mais sólido.
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Apaixonada por espiritualidade e praticante há mais de 15 anos. Já trabalhei nos mais diversos sites e hoje escrevo para o Instituto Terapias de Luz