Encosto espiritual é, na tradição popular e na umbanda, o nome dado à ideia de que um espírito desencarnado se aproximou de uma pessoa e passou a influenciar o seu estado, o seu humor ou a sua rotina. No espiritismo, o fenômeno que mais se parece com isso se chama obsessão, e é descrito em graus, da influência leve à dominação, sempre com foco em prece, estudo e mudança de atitudes.
Há um ponto que vem antes de tudo: quase todos os “sintomas de encosto” que circulam na internet, como cansaço, insônia, tristeza, irritação e dor nas costas, têm causas físicas ou emocionais comuns, e o primeiro passo é conversar com um médico. Procurar ajuda de saúde não contradiz a fé, e as duas coisas podem andar juntas. Abaixo você vê o que o termo significa, os sintomas citados e o que pode estar por trás deles, os tipos, o que as casas religiosas sérias fazem e como fugir de quem cobra para “tirar encosto”. Tudo é apresentado como crença e tradição, sem medo e sem afirmar nem negar o fenômeno.
Neste artigo:
- Antes de tudo: o corpo e a mente primeiro
- Encosto espiritual: o que é
- Encosto e obsessão no espiritismo
- Encosto na umbanda e em outras correntes
- Sintomas de encosto espiritual: o que se diz e o que pode estar por trás
- Encosto nas costas e dor no corpo
- Tipos de encosto
- Como se livrar de um encosto espiritual
- Tirar encosto: cuidado com o golpe
- Existe encosto?
- Perguntas frequentes
Antes de tudo: o corpo e a mente primeiro
Quem pesquisa “encosto espiritual” quase sempre está passando por algo que incomoda de verdade: um cansaço que não passa, noites mal dormidas, uma tristeza sem motivo, brigas frequentes, a sensação de peso. Esses incômodos são reais e merecem atenção, seja qual for a explicação.
Cuidado: Dor persistente, insônia que dura semanas, tristeza profunda, perda do interesse por tudo, crises de pânico, pensamentos de se machucar ou ouvir vozes são motivos para procurar um médico ou um psicólogo, e não para esperar uma resposta espiritual. Em sofrimento intenso, o CVV atende pelo telefone 188, a qualquer hora, de graça, e o Samu pelo 192 em emergência. Ninguém deve parar um tratamento por orientação espiritual.
As próprias tradições dizem isso. As casas espíritas sérias costumam orientar o acompanhamento médico em paralelo, e muitos terreiros pedem que a pessoa cuide da saúde antes de qualquer trabalho. Fé e cuidado com o corpo não competem.
Encosto espiritual: o que é
Na linguagem popular, “encosto” é um espírito que “encosta” na pessoa, isto é, se aproxima e permanece por perto, afetando o seu bem-estar. A palavra é muito usada na umbanda e no catolicismo popular, e costuma vir acompanhada de explicações como “carregar um espírito”, “estar carregado” ou “estar com peso”.
Na tradição, esse espírito pode ser alguém que ficou preso a vínculos da vida terrena, alguém que não percebeu a própria passagem, ou alguém atraído por sentimentos parecidos com os seus, como tristeza, culpa, raiva ou vícios. Repare que se trata sempre de uma leitura de fé: não há prova científica de encostos, e quem os descreve o faz a partir da sua crença.
Também vale notar que a palavra “encosto” mudou de sentido no uso do dia a dia. Muitas vezes é dita por brincadeira, para falar de uma fase ruim. Aqui tratamos do sentido religioso, com respeito e sem exagero.
Encosto e obsessão no espiritismo
O espiritismo não usa a palavra “encosto”. Para Allan Kardec, a influência de espíritos que pesa sobre uma pessoa é chamada de obsessão, e ele a descreve em graus: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação, do mais leve ao mais intenso. A doutrina insiste que a influência só encontra espaço onde há afinidade, e que o caminho de saída passa pela transformação íntima de quem a sofre.
Isso muda o tom do assunto. Em vez de uma força que ataca de fora e que só alguém poderoso consegue afastar, a obsessão é vista como uma relação, que se desfaz pela prece, pelo estudo, pelo esforço de pensar e agir melhor e, quando for o caso, pelo auxílio de uma casa de confiança. Nas casas sérias, o trabalho é também o de acolher o espírito, sem violência.
Dois textos do blog tratam desse ponto com mais detalhe.
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Encosto na umbanda e em outras correntes
Na umbanda, o encosto é tratado como um espírito sofredor ou perdido que se aproxima de alguém. O atendimento, nas casas sérias, costuma ser feito por guias espirituais, com prece, aconselhamento e, em alguns casos, passes e banhos de ervas orientados pelo dirigente. O objetivo declarado é encaminhar o espírito para a luz e fortalecer a pessoa, e não expulsá-lo com violência.
No catolicismo popular, fala-se em rezas, bênçãos e benzimentos, e a Igreja Católica, em sua doutrina oficial, trata o assunto com outros termos e outros critérios. Algumas igrejas evangélicas falam em libertação, com práticas próprias. Cada corrente tem o seu vocabulário e os seus ritos, e o respeito entre elas ajuda a pessoa a escolher o que lhe faz sentido.
Em todas elas, as orientações mais saudáveis se parecem: acolher a pessoa, orientar a cuidar do corpo, incentivar a oração e a boa convivência, e nunca prometer resultados rápidos nem cobrar dinheiro por isso.
Sintomas de encosto espiritual: o que se diz e o que pode estar por trás
A tradição popular costuma listar uma série de sinais. A tabela abaixo mostra os mais citados e, ao lado, causas comuns que um profissional de saúde pode investigar. Os dois lados não se excluem, mas o da direita deve vir primeiro.
| O que se costuma citar | Causas comuns a investigar |
|---|---|
| Cansaço constante | Anemia, problemas de tireoide, sono ruim, excesso de trabalho, depressão |
| Insônia ou pesadelos | Ansiedade, estresse, apneia do sono, cafeína, telas à noite |
| Tristeza e desânimo sem motivo | Depressão, luto, problemas hormonais, isolamento |
| Irritação e brigas frequentes | Estresse, falta de descanso, ansiedade, conflitos reais não resolvidos |
| Dor nas costas ou nos ombros | Má postura, tensão muscular, sedentarismo, problemas na coluna |
| Sensação de peso ou de presença | Ansiedade, tensão, hipersensibilidade, cansaço |
| Mal-estar em certos lugares | Ambiente abafado, cheiro forte, estímulos demais, ansiedade social |
| Azar ou “fase ruim” repetida | Decisões repetidas, falta de planejamento, ciclos de vida naturais |
Isso não quer dizer que a experiência da pessoa seja “coisa da cabeça” no sentido de ser menos real. Quer dizer que o incômodo tem uma origem que pode ser tratada, e que tratá-la costuma ajudar muito. Quem faz o acompanhamento e, mesmo assim, continua sentindo que há algo mais pode, aí sim, buscar uma casa religiosa de confiança, sem abandonar o tratamento.
Encosto nas costas e dor no corpo
É comum ouvir que o encosto “pesa nas costas” ou nos ombros, e muita gente relaciona uma dor ali à presença de um espírito. A explicação mais frequente para dor nas costas e nos ombros, porém, é física: postura, tensão acumulada, longas horas sentado, travesseiro inadequado, movimento repetitivo ou estresse, que contrai a musculatura sem a gente perceber.
Se a dor é persistente, piora à noite, vem com formigamento, fraqueza, febre ou perda de peso, procure atendimento médico sem demora. Só depois de afastar causas físicas faz sentido, para quem tem fé, somar à rotina práticas de acolhimento, como a prece, a respiração calma e o descanso.
Tipos de encosto
Quem busca “tipos de encosto” encontra classificações diferentes, que variam conforme a casa e o autor. Em geral, elas giram em torno de três ideias, todas como crença:
- O espírito perdido: alguém que não compreendeu a própria passagem e se aproxima de pessoas por afinidade ou por carência
- O espírito ligado por vínculo: alguém com laços de família, afeto ou conflito com a pessoa
- A influência por afinidade: a ideia de que sentimentos como raiva, culpa ou vícios “sintonizam” a pessoa com espíritos de mesma natureza
Repare que, nas três, o foco está na relação e na afinidade, e não em um “ataque”. Por isso as tradições mais equilibradas pedem que a pessoa cuide do que sente, perdoe, se ocupe de pensamentos mais leves e fortaleça os vínculos saudáveis da vida real. Nenhuma delas exige medo.
Os nomes variam muito (kiumba, egum, obsessor e outros) e dependem da religião e da casa. Se alguém lhe apresentar uma lista fechada de tipos e usar isso para assustar, desconfie.
Como se livrar de um encosto espiritual
As orientações das casas sérias, ditas de forma geral, costumam ser simples e acessíveis. Não são fórmulas mágicas nem têm prazo, e nada disso substitui o cuidado com a saúde:
- Cuidar da saúde primeiro: consulta médica, sono, alimentação e, se necessário, apoio psicológico
- Rezar ou meditar: a prece, na forma que faça sentido para a sua fé, é recomendada em quase todas as tradições
- Estudar: entender o tema reduz o medo, e o medo é o que mais pesa
- Mudar hábitos: afastar-se de vícios, de ambientes pesados e de pensamentos repetitivos de culpa e raiva
- Receber o passe ou o atendimento de uma casa de confiança: gratuito nas casas espíritas sérias, com dirigentes que orientam sem assustar
- Cuidar do ambiente: ventilar a casa, manter a organização e a limpeza e ter momentos de silêncio
Cuidado: Não queime nada em ambiente fechado, não tome chás ou preparados indicados por desconhecidos e não use produtos sem orientação segura. Banhos e defumações, quando fazem parte da sua tradição, devem ser feitos com ventilação, sem excesso e sem substituir o cuidado médico.
O mais importante é perceber que, na visão da maioria das tradições, a força para sair desse estado vem de dentro: da mudança de atitude, do perdão, do cuidado consigo mesmo e do apoio de pessoas de confiança. Quem está bem de corpo e de mente fica menos vulnerável a qualquer tipo de influência, espiritual ou não.
Tirar encosto: cuidado com o golpe
“Tirar encosto” é uma das buscas que mais atraem golpistas. O padrão se repete: alguém diz que você está “carregado”, que um espírito perigoso está com você ou com a sua família, que a situação é urgente e que só um “trabalho” caro resolve. Em seguida, pede dinheiro, e depois pede mais.
- Cobrança alta para “limpar”, “abrir caminhos” ou “desfazer” algo
- Ameaça de que algo ruim vai acontecer se você não pagar ou não voltar
- Pressão para decidir na hora, sem conversar com ninguém
- Pedido para que você esconda a situação da família
- Recomendação de parar um tratamento médico ou um remédio
- Promessa de resultado garantido
Casas religiosas sérias não funcionam assim. O atendimento espírita é gratuito, e terreiros e igrejas de boa conduta orientam sem ameaça. Se algo disso acontecer com você, saia, converse com alguém de confiança e, se houver cobrança abusiva ou ameaça, registre o caso na delegacia.
E se você já foi enganado, saiba que não é motivo de vergonha: o golpe funciona justamente porque vem num momento de fragilidade.
Existe encosto?
Depende de quem responde. Para quem tem fé espírita, umbandista ou cristã popular, a influência de espíritos sobre pessoas é uma realidade e faz parte do cotidiano religioso. Para a ciência, não há comprovação, e os relatos costumam ser explicados por fatores psicológicos, culturais e de saúde.
Este artigo não afirma nem nega. O que ele defende é um caminho de bom senso: tratar o corpo e a mente, cultivar a espiritualidade que faz sentido para você, evitar o medo e fugir de quem lucra com ele. Se a sua experiência é de sofrimento, o cuidado vem antes de qualquer discussão sobre a causa.
Quem quer estudar o assunto com calma pode procurar cursos e livros que tratem do tema com método, e não com sensacionalismo.
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Entender a influência espiritual com método
O curso de Apometria apresenta, com estudo e equilíbrio, uma abordagem de atendimento espiritual conhecida no Brasil, para quem deseja compreender o tema sem medo. Ele complementa, e não substitui, o cuidado com a saúde e a orientação de uma casa de confiança.
Perguntas frequentes
O que é encosto espiritual?
Na tradição popular e na umbanda, é a ideia de que um espírito desencarnado se aproximou de uma pessoa e influencia o seu bem-estar. No espiritismo, o fenômeno equivalente se chama obsessão. É uma leitura de fé, sem comprovação científica.
Quais são os sintomas de encosto?
A tradição cita cansaço, insônia, tristeza, irritação, dor nas costas e sensação de peso. Todos esses sinais têm causas físicas ou emocionais comuns, como anemia, ansiedade, depressão e tensão muscular, e o primeiro passo é procurar um médico.
Como me livrar de um encosto?
As casas sérias orientam cuidar da saúde, rezar ou meditar, estudar, mudar hábitos e receber o passe ou o atendimento de uma casa de confiança. Não há fórmula mágica nem prazo, e nada disso substitui o tratamento médico.
Preciso pagar para tirar encosto?
Não. Casas espíritas sérias não cobram pelo atendimento, e terreiros e igrejas de boa conduta não ameaçam nem pressionam. Cobrança alta, urgência e medo são sinais de golpe. Se isso acontecer, saia e converse com alguém de confiança.
Encosto e obsessão são a mesma coisa?
Parecidos, mas não iguais. Encosto é o termo popular, usado na umbanda e no catolicismo popular. Obsessão é o termo espírita, descrito por Kardec em graus (simples, fascinação e subjugação), com foco em prece, estudo e transformação íntima.
Dor nas costas pode ser encosto?
A causa mais comum de dor nas costas é física, como postura, tensão e sedentarismo. Se a dor é persistente, piora à noite ou vem com formigamento ou febre, procure um médico. Só depois de afastar causas físicas é que se fala em acolhimento espiritual.

Apaixonada por espiritualidade e praticante há mais de 15 anos. Já trabalhei nos mais diversos sites e hoje escrevo para o Instituto Terapias de Luz

