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Querubins: o que são, na Bíblia e o significado

Querubins: o que são, na Bíblia e o significado

Querubins (no singular, querubim) são seres celestiais que aparecem na Bíblia como guardiões da presença de Deus: protegem o caminho da árvore da vida depois da expulsão do Éden, estão esculpidos sobre a Arca da Aliança e sustentam o trono divino na visão do profeta Ezequiel. Na tradição cristã, formam o segundo coro da hierarquia dos anjos, logo abaixo dos serafins.

O querubim da Bíblia não é o bebê gordinho com asas que vemos em pinturas e cartões. Essa imagem nasceu na arte do Renascimento e trocou o sentido original. Neste artigo você vê o que o texto bíblico realmente diz, o lugar dos querubins na hierarquia, de onde veio o “anjinho” e como a tradição esotérica moderna fala deles.

Neste artigo:

O que são os querubins

A palavra vem do hebraico kerub (plural kerubim). Em português usamos “querubim” para um e “querubins” para vários. A origem exata do termo é discutida pelos estudiosos, e há quem a relacione a figuras de guardiões alados do antigo Oriente Médio, que ficavam à porta de templos e palácios. Dizer isso com cautela é o mais honesto: é uma hipótese comum entre pesquisadores, não uma certeza.

O que o texto bíblico deixa claro é a função. Querubins são seres ligados à presença e à guarda do sagrado. Eles não aparecem como mensageiros que conversam com as pessoas, ao contrário de Gabriel e de outros anjos, mas como figuras que ficam ao redor de Deus ou de um lugar santo.

Para a fé cristã, são anjos. Para o judaísmo, são seres celestiais de grande importância simbólica, ligados ao Templo e à Arca. As formas de entender o assunto variam entre tradições, e aqui cada uma é apresentada como é, sem misturar.

Querubins na Bíblia

A Bíblia cita os querubins muitas vezes. Os três momentos mais conhecidos:

No livro do Gênesis: guardiões do Éden

Depois que Adão e Eva são expulsos do jardim, o texto diz que Deus colocou querubins a leste do Éden, junto com uma espada flamejante que girava, para guardar o caminho da árvore da vida. É a primeira aparição deles e já mostra o papel de guardiões.

No livro do Êxodo: a Arca da Aliança

Na descrição da Arca da Aliança, Deus orienta a fazer dois querubins de ouro sobre a tampa, chamada de propiciatório, com as asas estendidas para cima. O texto os coloca ali como sinal da presença divina, o lugar de onde Deus falaria a Moisés. Os querubins também foram bordados nas cortinas do tabernáculo e, mais tarde, esculpidos no Templo de Salomão.

No livro de Ezequiel: a visão das quatro faces

O profeta Ezequiel descreve uma visão de seres vivos com quatro faces e asas, ao lado de rodas cheias de olhos, sob um trono. Mais adiante o texto identifica esses seres como querubins. As quatro faces costumam ser lidas como um homem, um leão, um touro e uma águia, e a tradição cristã depois associou essas imagens aos quatro evangelistas. É uma leitura da tradição, não está dita assim no texto de Ezequiel.

Também há menções nos Salmos, que falam de Deus “montado num querubim” ou “entronizado entre os querubins”, imagens poéticas de majestade. Em nenhum desses trechos o querubim é uma criança.

Querubim é anjo? O lugar na hierarquia

Na linguagem da Bíblia, querubins são seres celestiais próprios, descritos como distintos de outras categorias. Na tradição cristã posterior, porém, eles passaram a ser tratados como uma ordem de anjos. Quem organizou isso de forma sistemática foi Pseudo-Dionísio Areopagita, autor cristão do fim da Antiguidade, no tratado sobre a hierarquia celeste. O nome vem do fato de o texto ter sido atribuído, por muito tempo, a Dionísio, convertido por Paulo em Atenas, mas os estudiosos hoje o datam de séculos depois.

Nesse esquema há nove coros, em três grupos de três. Os querubins ficam no segundo coro, logo depois dos serafins, no primeiro grupo, o mais próximo de Deus. Segundo essa tradição, a característica deles é o conhecimento e a sabedoria: contemplam e refletem a luz divina. Tomás de Aquino, teólogo medieval, retomou essa organização em suas obras.

Vale lembrar que a própria Bíblia não monta uma hierarquia de nove coros. Ela cita nomes de ordens em lugares diferentes, e a ordenação em coros é uma construção da tradição cristã.

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Por que o querubim virou um bebê com asas

Se a Bíblia fala de guardiões poderosos, por que hoje a palavra “querubim” lembra um bebê rechonchudo? A resposta está na história da arte.

Na Antiguidade romana havia o putto (plural putti), figura de menino alado usada na decoração, ligada a Cupido e a outras cenas pagãs. No Renascimento italiano, os artistas retomaram esse modelo e passaram a pintar crianças aladas em quadros religiosos e em tetos de igrejas. Com o tempo, o público passou a chamar essas figuras de querubins, e a palavra ficou colada à imagem.

Um exemplo famoso são os dois meninos que olham para cima no rodapé da Madona Sistina, de Rafael, muitas vezes reproduzidos em cartões. Eles são putti. A confusão se espalhou tanto que “querubim” virou sinônimo de criança bonita e de bochechas rosadas, como no uso popular “cara de querubim”.

Então, quando alguém pergunta por que a Bíblia não descreve o querubim como um bebê, a resposta é simples: porque essa é uma imagem artística posterior. O querubim bíblico é descrito como uma figura imponente, alada e ligada ao sagrado.

Significado espiritual dos querubins

Dentro da tradição religiosa, o significado dos querubins gira em torno de guarda, reverência e presença divina. Eles protegem o que é santo, estão perto do trono de Deus e lembram que existem coisas que pedem respeito. Na leitura medieval, também simbolizam o conhecimento que nasce da contemplação.

Algumas leituras simbólicas que aparecem em textos devocionais e populares:

  • Guarda do sagrado: o querubim como aquele que vigia o limite entre o humano e o divino.
  • Sabedoria: pela associação com o segundo coro e com a ideia de conhecimento.
  • Presença: a imagem dos querubins sobre a Arca, como sinal de que o sagrado estava ali.

Nas tradições esotéricas modernas, os querubins também aparecem em listas de ordens angelicais, às vezes com atribuições próprias e ligados a práticas de meditação. Isso é um desenvolvimento recente e varia de autor para autor, sem base no texto bíblico. Quem se interessa pelo tema faz bem em distinguir o que é fé de uma religião, o que é estudo histórico e o que é prática pessoal.

Cuidado: Os querubins não são promessa de proteção, sorte ou resultado. A fé e a reflexão pessoal podem trazer conforto, mas nada neste texto substitui ajuda profissional. Em caso de sofrimento emocional que persiste, procure um médico ou psicólogo.

Querubins no judaísmo e no islamismo

No judaísmo, os keruvim estão ligados sobretudo ao Templo e à Arca, e aparecem com destaque no relato do tabernáculo e na visão de Ezequiel. A tradição rabínica comenta o tema de várias formas, e não há uma única leitura. Uma delas, citada em comentários antigos, enxerga nos dois querubins da Arca uma imagem de diálogo entre Deus e o povo.

No islamismo, os anjos são chamados de malaika, e a tradição fala de anjos próximos de Deus, os muqarrabun, “os aproximados”. Alguns estudiosos relacionam essa ideia, de modo geral, ao papel dos querubins, mas se trata de comparação feita por pesquisadores, e não de uma equivalência que a própria tradição islâmica afirme. Convém tratar cada religião nos seus próprios termos.

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Querubins, serafins e tronos: como se diferenciam

Quem chega ao assunto costuma confundir as três ordens mais altas. Resumindo, segundo a classificação de Pseudo-Dionísio:

OrdemPosiçãoIdeia central
SerafinsPrimeiro coroAmor e adoração ardente
QuerubinsSegundo coroSabedoria e conhecimento
TronosTerceiro coroJustiça e sustento do trono divino

Essa tabela mostra a leitura da tradição cristã, e não uma divisão que a Bíblia faça. Nas Escrituras, serafins aparecem em Isaías e querubins em Gênesis, Êxodo, Salmos e Ezequiel, em contextos diferentes.

Como se relacionar com o tema com respeito

Para quem tem fé, os querubins são parte da tradição bíblica e litúrgica, e merecem ser tratados com seriedade. Para quem se interessa pelo simbolismo, vale conhecer a história antes de adotar a imagem como enfeite ou tatuagem. Algumas sugestões:

  • Leia os trechos bíblicos citados acima (Gênesis, Êxodo, Ezequiel) e compare com o que se diz na internet.
  • Diferencie o querubim bíblico do putto renascentista ao escolher uma imagem.
  • Se o interesse é espiritual, procure fontes da sua própria tradição e evite misturar nomes e práticas sem conhecê-los.
  • Lembre que o tema pertence primeiro a religiões vivas. Respeito vem antes de curiosidade.

Se quiser continuar a explorar o universo dos anjos de forma ampla, vale ler sobre os números que muita gente associa a mensagens angelicais em Números dos Anjos: lista completa com todos os significados, lembrando que essa é uma leitura popular e não doutrina de nenhuma igreja.

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Perguntas frequentes

Quem são os querubins?

São seres celestiais citados na Bíblia como guardiões do sagrado. Aparecem no Éden, na Arca da Aliança e na visão de Ezequiel. Na tradição cristã, formam o segundo coro de anjos.

Querubim é anjo?

Na Bíblia, são seres celestiais próprios. Na tradição cristã posterior, foram classificados como uma ordem de anjos, o segundo coro, abaixo dos serafins.

O querubim é um bebê com asas?

Não. Essa imagem vem dos putti da arte do Renascimento. O querubim bíblico é descrito como uma figura alada e imponente, ligada à guarda do sagrado.

O que a Bíblia diz sobre os querubins?

Gênesis os coloca guardando o caminho da árvore da vida; Êxodo manda esculpi-los em ouro sobre a Arca da Aliança; Ezequiel descreve querubins com quatro faces sob o trono de Deus.

Qual a diferença entre querubins e serafins?

Pela classificação cristã, serafins são o primeiro coro, ligados ao amor ardente, e querubins o segundo, ligados à sabedoria. Na Bíblia, serafins aparecem em Isaías e querubins em outros livros.

Querubins protegem as pessoas?

Para quem tem fé, os anjos fazem parte da proteção divina, mas nenhum texto deve ser lido como garantia de resultado. É uma crença pessoal e religiosa, não uma promessa.