Pular para o conteúdo

Hierarquia dos anjos: os nove coros e o que cada um faz

Hierarquia dos anjos: os nove coros e o que cada um faz

A hierarquia dos anjos mais conhecida divide os seres celestes em nove coros, agrupados em três tríades: serafins, querubins e tronos; dominações, virtudes e potestades; principados, arcanjos e anjos. Essa ordem vem da tradição cristã e foi organizada por um autor antigo conhecido como Pseudo-Dionísio Areopagita, por volta dos séculos V e VI.

Há um ponto que costuma ficar de fora: a Bíblia cita vários desses nomes, mas não monta essa escada completa. A hierarquia é uma construção da tradição, muito respeitada por católicos e ortodoxos, e não um quadro descrito num único texto bíblico. Neste artigo você vê a ordem dos coros, o que cada nome significa, de onde vem a ideia e como outras tradições enxergam o assunto.

Neste artigo:

Quais são os nove coros de anjos

A lista tradicional, do mais próximo de Deus ao mais próximo dos seres humanos, é esta:

TríadeCorosIdeia geral na tradição
PrimeiraSerafins, querubins e tronosContemplam e louvam a Deus de perto
SegundaDominações, virtudes e potestadesGovernam e sustentam a ordem do universo
TerceiraPrincipados, arcanjos e anjosCuidam dos povos e dos indivíduos, mais perto de nós

Perceba que anjo é, ao mesmo tempo, o nome geral (quem tem a missão de mensageiro) e o nome do último coro. Em hebraico, a palavra costuma ser traduzida como “mensageiro”, e em grego, ángelos, tem o mesmo sentido. Por isso, quando alguém diz “os anjos”, em geral fala de todos os coros, e quando se fala do “nono coro”, fala-se dos anjos mais próximos da vida comum.

De onde vem a hierarquia angelical

A organização em nove coros aparece num texto chamado A Hierarquia Celeste, atribuído a Dionísio, o Areopagita. Esse nome remete a uma personagem do Novo Testamento que teria sido convertida por Paulo em Atenas. Os estudiosos, porém, concluem há muito tempo que o autor viveu séculos depois, e por isso ele é chamado de Pseudo-Dionísio. Esse é um fato bem conhecido da história da teologia.

Mais tarde, Tomás de Aquino, teólogo do século XIII, retomou essa divisão e a discutiu em sua obra, o que ajudou a firmá-la no pensamento católico. A ideia também influenciou a arte, a liturgia e a literatura: o Paraíso, de Dante, por exemplo, usa os coros celestes como parte de sua estrutura.

Vale lembrar que a hierarquia não é um dogma fechado em todas as igrejas cristãs. Ela é uma tradição de grande peso, mas cada comunidade a vive de um modo. Quem tem fé deve procurar a orientação da sua própria igreja.

Primeira tríade: serafins, querubins e tronos

É o grupo mais próximo de Deus na tradição, ligado à adoração e à contemplação.

  • Serafins: aparecem no livro de Isaías, na visão do profeta no templo, com seis asas, proclamando “santo, santo, santo”. O nome costuma ser ligado ao verbo “arder” em hebraico. Pseudo-Dionísio os coloca no primeiro lugar.
  • Querubins: surgem em Gênesis, guardando o caminho da árvore da vida depois da saída do Éden, e em Êxodo, como figuras de ouro sobre a Arca da Aliança. Ezequiel descreve visões de querubins com quatro faces. Na arte, muitas vezes foram confundidos com os bebês alados do Renascimento, que na história da arte se chamam putti.
  • Tronos: o nome lembra o trono divino. Na Carta aos Colossenses, Paulo menciona “tronos” entre as realidades criadas, sem detalhar quem são. A tradição os associa à justiça e à firmeza da ordem divina.

Segunda tríade: dominações, virtudes e potestades

Na leitura tradicional, esses três coros ficam responsáveis pela ordem geral do cosmos, não pelo contato direto com as pessoas.

  • Dominações: regeriam os coros inferiores e distribuiriam as tarefas.
  • Virtudes: ligadas à força que sustenta a natureza e os sinais extraordinários, segundo a tradição.
  • Potestades: teriam o papel de manter a ordem e conter o que a ameaça.

Esses nomes aparecem em listas das cartas de Paulo, como Efésios e Colossenses, junto de outros títulos. A Bíblia os cita, mas não explica o que cada um faz. As funções descritas acima vêm da reflexão teológica posterior.

Terceira tríade: principados, arcanjos e anjos

É a tríade mais próxima do nosso mundo e a que mais aparece nas narrativas bíblicas.

  • Principados: a tradição os liga ao cuidado de nações, regiões e instituições.
  • Arcanjos: mensageiros de missões maiores. Miguel, Gabriel e Rafael são os nomes mais conhecidos. Para saber mais, veja o artigo sobre o Arcanjo Miguel e o de Arcanjo Rafael.
  • Anjos: o coro mais próximo das pessoas. É onde a tradição situa o anjo da guarda.

Leia também: Anjo da guarda, mentor e guia: como entender essa presença

O que a Bíblia diz sobre a hierarquia

A Bíblia fala de anjos do começo ao fim: aparecem como mensageiros, protetores e servidores diante de Deus. Há menções a arcanjos (Miguel, na Carta de Judas e no livro de Daniel, onde é chamado “um dos principais príncipes”), a serafins, a querubins e a outros títulos como principados e potestades.

O que o texto bíblico não traz é uma lista ordenada com nove coros e funções para cada um. Quem junta esses nomes numa escada é a tradição que veio depois. Dizer isso não diminui o tema, apenas ajuda a separar o que é texto sagrado do que é interpretação consagrada pelo tempo.

Também há diferença entre as bíblias: o livro de Tobias, onde Rafael se apresenta, faz parte do cânon católico e ortodoxo, mas não do protestante.

Hierarquia dos anjos no judaísmo, no islamismo e no esoterismo

Judaísmo. A tradição judaica também fala de ordens de anjos. O filósofo Maimônides, da Idade Média, descreveu uma lista de dez graus de seres angelicais, diferente da dos nove coros cristãos. Cada corrente judaica trata o tema de um modo.

Islamismo. O Alcorão fala de anjos, entre eles Jibril (Gabriel), que é ligado à revelação. A tradição islâmica cita outros anjos com missões específicas, mas não adota os nove coros de Pseudo-Dionísio.

Esoterismo moderno. Nas tradições esotéricas, é comum encontrar outras escalas, como o ensinamento dos sete raios, em que cada arcanjo é associado a uma cor e a uma qualidade. Isso é uma tradição própria, que não coincide com a hierarquia dos nove coros.

Hierarquia angelical e hierarquia celestial: é a mesma coisa?

Na prática, sim. “Hierarquia angelical” e “hierarquia celestial” são nomes diferentes para a mesma ideia, e este último vem do título da obra de Pseudo-Dionísio. A palavra “hierarquia” vem do grego e significa algo como “ordem sagrada”.

Em alguns materiais, você encontra “coros”, “ordens” ou “escalões”. São sinônimos aproximados. O mais comum é “coros”, porque os anjos são descritos na tradição como louvando a Deus em coro.

A hierarquia na arte e na cultura

A imagem dos coros angelicais marcou séculos de pintura, escultura e música. Em igrejas medievais e renascentistas, é comum ver serafins e querubins representados em volta de figuras sagradas, e os coros celestes inspiraram cantos e peças de órgão. Dante, na Divina Comédia, organiza o Paraíso em esferas ligadas às ordens angélicas.

Essa presença na arte ajuda a explicar por que o tema é tão conhecido, mesmo por quem não estudou teologia. Também explica algumas confusões populares: o querubim virou o bebê com asas, e o serafim, em muitas imagens, perdeu o aspecto de fogo descrito por Isaías. Quando uma imagem diverge do texto, vale lembrar que a arte interpreta, não descreve.

Outro ponto de cultura geral: a palavra “coro” lembra canto, e a tradição imagina os seres celestes em louvor permanente. Isso aparece em orações e liturgias, como o “santo, santo, santo” cantado em celebrações cristãs, que remete à cena de Isaías.

Como se relacionar com esse conhecimento

Conhecer a hierarquia pode ser uma forma de estudo e de contemplação, sem precisar decorar nomes. Muitas pessoas usam a lista dos nove coros como roteiro de meditação ou de leitura, dedicando um tempo a cada coro.

Um cuidado simples: tratar a hierarquia como mapa de respeito e não como lista de favores. Nenhuma tradição séria promete resultado garantido por invocar um coro ou outro. Quem busca apoio na fé pode fazê-lo com serenidade, e a leitura de textos como a oração do anjo da guarda faz parte da devoção de muita gente.

Cuidado: estudar anjos e fazer práticas espirituais não substitui acompanhamento médico ou psicológico. Se você enfrenta angústia, insônia que não passa ou outro sintoma, procure um profissional de saúde.

Mais sobre anjos e arcanjos: Serafins · Querubins · Arcanjo Rafael · Arcanjo Metatron · Arcanjo Miguel · Anjo da guarda

Para estudar os anjos com profundidade
Quem quer ir além da lista dos coros pode conhecer um curso que apresenta o universo angelical de forma organizada e respeitosa.

Perguntas frequentes

Quais são os 9 coros de anjos?

Serafins, querubins, tronos, dominações, virtudes, potestades, principados, arcanjos e anjos. Eles se dividem em três tríades, da mais próxima de Deus à mais próxima de nós, segundo a tradição cristã.

Quem criou a hierarquia dos anjos?

A organização em nove coros é atribuída a Pseudo-Dionísio Areopagita, um autor antigo cuja identidade real é desconhecida. Tomás de Aquino a retomou na Idade Média.

A hierarquia dos anjos está na Bíblia?

Os nomes aparecem na Bíblia, mas a escada completa de nove coros não está descrita nela. É uma construção da tradição cristã.

Qual é o anjo mais alto na hierarquia?

Na ordem tradicional, os serafins ocupam o primeiro lugar, por estarem mais perto de Deus. Isso é leitura da tradição, não uma afirmação direta da Bíblia.

Arcanjo é mais importante que anjo?

Na hierarquia dos nove coros, o coro dos arcanjos está acima do dos anjos. Mas a importância espiritual de cada um não é medida assim por todos os que têm fé.

Todas as religiões têm a mesma hierarquia?

Não. Judaísmo, islamismo e tradições esotéricas falam de anjos, mas organizam o tema de formas diferentes.