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Ogum: quem é, Ogum na umbanda, São Jorge, Xoroquê, Megê e Beira-Mar

Ogum

Ogum é o orixá do ferro, da guerra, da tecnologia e dos caminhos. Nas religiões de matriz africana ele é o desbravador, aquele que abre estradas e domina o metal, da espada à ferramenta de trabalho, e por isso é lembrado por quem busca coragem, trabalho e proteção na vida.

No Brasil, Ogum é cultuado no Candomblé e na Umbanda, onde se fala em “linha de Ogum” e em nomes como Beira-Mar, Megê e Xoroquê. No sincretismo, em muitos lugares ele é associado a São Jorge, e na Bahia a Santo Antônio. Este texto explica cada uma dessas ideias com respeito, e diz com clareza o que varia de casa para casa, como cor, dia, saudação e entendimento dos nomes.

Antes de ler: Umbanda e Candomblé são religiões diferentes, e cada terreiro tem fundamentos próprios. Este artigo traz informação geral e não ensina rituais, oferendas ou trabalhos. Se você quer saber como Ogum é cultuado na sua casa, pergunte ao pai ou à mãe de santo, ou ao dirigente do seu terreiro.

Neste artigo:

Quem é Ogum

Ogum é um orixá de origem iorubá, ligado ao ferro e a quem trabalha com ele: o ferreiro, o soldado, o agricultor, o motorista, o operário. É por isso que se diz que ele rege a tecnologia, já que cada ferramenta que transforma o mundo passa, em algum ponto, pelo metal. Também é chamado de senhor dos caminhos, porque a tradição conta que foi quem abriu passagem nas matas para os outros.

A “guerra” de Ogum precisa ser entendida com cuidado. Nas leituras mais comuns dentro dos terreiros, ela fala da luta cotidiana: a disciplina, o trabalho, a coragem de enfrentar o que trava a vida e a defesa de quem se ama. Não é licença para agredir, e a mesma tradição ensina que a força de Ogum pede responsabilidade.

No Candomblé, existem várias qualidades de Ogum, com nomes e histórias que mudam de uma nação para outra. Um dos títulos mais conhecidos é Ogum Onirê, ligado à cidade de Irê. Os detalhes de cada qualidade fazem parte do fundamento das casas e variam bastante.

Ogum na Umbanda

A Umbanda é uma religião brasileira que nasceu no início do século XX, reunindo influências de matrizes africanas, do catolicismo, do espiritismo e de tradições indígenas. Nela, Ogum é um dos orixás mais presentes, e em muitas casas é lembrado como defensor da casa e abridor de caminhos.

Em muitos terreiros de Umbanda, fala-se em linha de Ogum ou em falanges: grupos de guias espirituais que trabalham sob a vibração desse orixá. Os nomes mais ouvidos (Beira-Mar, Megê, Xoroquê, entre outros) são descritos como manifestações, qualidades ou campos de atuação de Ogum. O entendimento varia por casa: uma pode tratar o nome como uma entidade, outra como um caminho do próprio orixá, e outra nem usar esse nome. A sua casa é a referência para você.

A diferença em relação ao Candomblé é importante. No Candomblé, o orixá é cultuado em um sistema de iniciação, com obrigações e rituais próprios. Na Umbanda, a prática costuma girar em torno do trabalho de médiuns que recebem guias, e as casas organizam isso de formas diferentes. Misturar os dois é um erro comum de quem vê de fora, e pode soar desrespeitoso a ambas as religiões.

Ogum e São Jorge

Ogum e São Jorge são dois personagens diferentes: Ogum é um orixá, e São Jorge é um santo católico, o cavaleiro guerreiro. A associação entre eles é histórica. Durante a escravidão, o culto aos orixás foi proibido, e os africanos e seus descendentes ligaram cada orixá a um santo, de modo a continuar a devoção sob a aparência de outra. Segundo a explicação mais comum, o cavaleiro armado de espada e lança lembrava o orixá guerreiro e do ferro.

Essa correspondência é muito forte no Rio de Janeiro e no Sudeste, onde o dia 23 de abril, dia de São Jorge no calendário católico, reúne grande devoção popular, com missas e procissões. Na Bahia, o costume é diferente: Ogum costuma ser associado a Santo Antônio, e São Jorge é ligado a Oxóssi. Ou seja, o sincretismo muda de região para região, e dizer que Ogum é São Jorge em todo o Brasil é uma simplificação.

Hoje muitos terreiros, principalmente de Candomblé, deixam o sincretismo de lado e afirmam que orixá não é santo. Outros o mantêm com carinho. Quem reza a São Jorge pode fazê-lo como católico ou como devoto popular sem ser de religião de matriz africana. Se esse é o seu caso, veja a Oração de São Jorge: 5 orações de proteção, coragem e caminhos abertos.

Leia também: Espada de São Jorge: para que serve, significado e cuidados

Saudação, cor e dia de Ogum

A saudação mais conhecida é “Ogunhê!”. Outra louvação citada é “Patacori”, que aparece em cantos e em cumprimentos. Em cada casa existem formas próprias, e é boa educação aprender a que o terreiro usa.

ItemO que costuma ser dito
CorEm muitas casas de Candomblé, o azul-escuro. Em muitas de Umbanda, o vermelho. Há casas com outras combinações.
DiaA terça-feira é o dia mais citado, mas varia conforme a casa e a tradição.
SímbolosEspada, lança e ferramentas de ferro.
Saudação“Ogunhê!” e, em algumas casas, “Patacori”.

Por isso, se você ouviu que a cor de Ogum é uma só, saiba que as casas diferem. A sua cor, o seu dia e a sua saudação são as da sua casa.

Ogum Xoroquê

Ogum Xoroquê é um nome ouvido em casas de Umbanda. Em muitas delas é associado à ligação de Ogum com Exu e às encruzilhadas, esse ponto de encontro de caminhos. O entendimento, porém, muda bastante de uma casa para outra, e há terreiros que nem usam o nome.

Uma observação que evita erro comum: Exu não é o diabo. No Candomblé, Exu é o orixá mensageiro, senhor dos caminhos e da comunicação. Na Umbanda, o nome também designa entidades guardiãs. Em nenhuma das duas religiões ele equivale ao diabo cristão, uma confusão que nasceu da colonização e do preconceito.

Ogum Megê

Ogum Megê costuma ser ligado, em muitas casas de Umbanda, ao cemitério e à fronteira entre a vida e a morte. O nome pode causar medo em quem lê sem contexto, mas, dentro da religião, esses espaços são tratados com respeito, e não como ameaça. O que ele “faz” exatamente depende de como a casa entende, e por isso é uma pergunta para o dirigente do seu terreiro.

Ogum Beira-Mar

Ogum Beira-Mar é, em muitas casas de Umbanda, o Ogum ligado à praia e ao mar, onde o ferro encontra a água. É um dos nomes mais conhecidos da linha de Ogum, e é frequente nos pontos cantados e nas festas. Como nos outros casos, o sentido completo varia por terreiro, e o nome não aparece em todas as casas.

Ogum Iara, Ogum de Ronda e outros nomes

Também circulam nomes como Ogum Iara e Ogum de Ronda. Eles aparecem em algumas casas de Umbanda, mas o entendimento muda tanto de uma para outra que seria enganoso apresentar uma definição única. O que se pode dizer com segurança é que são nomes de manifestações ou campos de atuação dentro da linha de Ogum, e que a explicação correta é a que o dirigente da casa dá.

Isso vale para qualquer nome que você encontre na internet: se não há como confirmar com a sua casa de santo, trate a explicação como informação geral, e não como fundamento.

Ogum e Iansã

Iansã é o orixá dos ventos e das tempestades. Nas histórias, ela e Ogum aparecem lado a lado em várias versões, como aliados na luta, e algumas contam que ela esteve ao lado dele antes de se ligar a Xangô. Há quem enxergue na dupla o ferro e o vento, o que corta e o que move.

As versões variam, e nenhuma é a única. Na Umbanda, o entendimento sobre a relação entre os dois também varia de casa para casa. O melhor é tomar as histórias como símbolos que ajudam a pensar, e não como roteiro de uma relação real entre pessoas.

O que a força de Ogum não é

Pela sua fama de guerreiro, Ogum às vezes é chamado por quem quer “vencer” alguém ou fazer mal a um desafeto. Essa não é a leitura de quem vive a religião com seriedade. A força que se atribui a Ogum é a de abrir caminho, trabalhar, proteger e não desistir, e a religião não existe para prejudicar ninguém. Quem oferece “trabalho” para destruir a vida de outra pessoa não representa os terreiros sérios.

Se você sente que a sua vida está travada, pense em quais caminhos de fato dependem de você. Existem práticas populares de ervas e orações, como o banho para abrir caminhos, que tratam disso como cuidado simbólico, mas elas não substituem trabalho, saúde e ajuda profissional quando necessário.

E se você quer se aproximar de Ogum dentro da religião, procure uma casa de confiança, observe, pergunte e respeite o tempo. No Brasil, discriminar alguém pela sua religião é crime, e tratar com seriedade o que é sagrado para o outro é uma forma de cuidado.

Outros orixás: Oxum · Iemanjá · Oxóssi · Xangô

Conhecer a tradição do benzimento
O curso de Benzimento apresenta a tradição popular brasileira das rezas e das benzeduras, que convive com a fé e a cultura do país. Ele não ensina os fundamentos de Umbanda ou de Candomblé, que se aprendem dentro dos terreiros, mas pode ajudar quem quer entender melhor a devoção popular e a proteção pela oração.

Perguntas frequentes

Quem é Ogum?

É o orixá do ferro, da guerra, da tecnologia e dos caminhos, cultuado no Candomblé e na Umbanda. É lembrado como o desbravador, aquele que abre passagem e protege quem trabalha e luta.

Ogum é São Jorge?

Não, são personagens diferentes: Ogum é orixá, São Jorge é santo católico. A associação é um sincretismo histórico, forte no Rio de Janeiro e no Sudeste. Na Bahia, Ogum costuma ser ligado a Santo Antônio. E muitos terreiros hoje separam as duas fés.

Qual é a saudação de Ogum?

“Ogunhê!” é a mais conhecida. Em algumas casas também se ouve “Patacori”. Cada terreiro tem as suas formas, e o melhor é aprender a da sua casa.

Qual é a cor e o dia de Ogum?

Varia. Em muitas casas de Candomblé a cor é o azul-escuro, e em muitas de Umbanda é o vermelho, com outras combinações em outras casas. A terça-feira é o dia mais citado, mas não é regra para todos.

O que significam Ogum Megê, Xoroquê e Beira-Mar?

São nomes usados em casas de Umbanda para manifestações ou campos de atuação da linha de Ogum. Megê costuma ser ligado ao cemitério, Beira-Mar ao mar e à praia, e Xoroquê à relação com Exu e às encruzilhadas. O entendimento muda de casa para casa, então a resposta confiável é a do dirigente do seu terreiro.

Ogum serve para fazer mal a alguém?

Não. A força atribuída a Ogum é a de abrir caminhos, trabalhar, proteger e persistir. Quem promete usar a religião para prejudicar alguém está se afastando do que os terreiros sérios ensinam.