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Patuá de proteção: o que é, o que leva dentro e como fazer um simples

Saquinho de algodão com cordão vermelho, sal grosso, arruda, alecrim e vela

Patuá é um amuleto pequeno, geralmente um saquinho de pano ou de couro fechado, que a pessoa carrega consigo ou guarda em casa como proteção. Dentro vão objetos simbólicos, como ervas secas, sal grosso e uma oração escrita num papel. Na tradição popular brasileira, com forte presença da cultura afro-brasileira e do catolicismo popular, o patuá é um objeto de fé: serve para lembrar a quem o leva da proteção em que acredita e para reforçar a intenção de cuidado.

Existem muitos tipos de patuá, e é importante distinguir dois mundos. O patuá de proteção popular, simples, pode ser feito em casa, e você aprende a fazer um neste guia. Já o patuá de orixá ou de entidade (Umbanda, Candomblé) é preparado dentro da casa religiosa, por quem tem fundamento e responsabilidade para isso, e por respeito não ensinamos esse preparo aqui. Você também vai ver o que costuma ir dentro, como cuidar, quando trocar e o que dizer a quem pergunta se patuá faz mal ou “funciona”.

Neste artigo:

O que é patuá e para que serve

A palavra patuá é usada, no Brasil, para um pequeno invólucro com elementos de proteção. Há quem o chame de bolsinha, mandinga ou breve, conforme a região e a tradição. Em geral, é feito para ser levado junto ao corpo, na bolsa, na carteira ou no bolso, ou guardado em um lugar da casa, como a gaveta ou a cabeceira da cama.

Para quem acredita, o patuá serve para:

  • proteger contra o mau-olhado, a inveja e as energias pesadas;
  • reforçar a sensação de amparo em viagens, mudanças e fases difíceis;
  • manter perto uma oração ou um pedido, como lembrança concreta da fé;
  • acompanhar quem sai de casa, no trabalho ou no estudo.

É uma prática de crença, e não existe comprovação científica de que um objeto proteja de males. O que se pode dizer é que, para muita gente, carregar um símbolo de fé traz conforto e calma, e que ele nunca substitui os cuidados reais com a segurança, a saúde e as relações. Patuá não protege de doença, acidente ou violência: para isso existem médico, prudência e as autoridades.

Patuá na tradição afro-brasileira e popular

O costume de levar um pequeno objeto de proteção junto ao corpo é muito antigo e aparece em várias culturas. No Brasil, o patuá é lembrado sobretudo na cultura afro-brasileira, e também na religiosidade popular, em que se misturam elementos do catolicismo, como orações escritas e imagens de santos. Em muitas famílias, o saquinho passa de geração em geração, com a avó ou a mãe explicando como fazer.

Na Umbanda e no Candomblé, patuás e objetos de proteção fazem parte de práticas ligadas a cada casa e a cada tradição. Esses fundamentos são ensinados dentro da religião, por sacerdotes e sacerdotisas, e variam de uma casa para outra. Por isso, este guia não descreve esses preparos: você encontra aqui apenas a versão popular, de fé simples, que qualquer pessoa pode fazer com respeito.

O que costuma ir dentro de um patuá de proteção

Não existe uma receita única. A versão popular mais conhecida costuma reunir poucos elementos, cada um com a sua “fama” na tradição:

ElementoAssociação na tradição popularObservação
Sal grossoProteção, limpezaUma pitada basta. Mantenha o patuá seco, porque o sal absorve umidade.
Alecrim secoProteção, clarezaPlanta suave e fácil de encontrar.
Arruda secaProteção contra mau-olhadoMuito tradicional. Pode irritar a pele e não é indicada para gestantes manusearem.
Manjericão secoBoas energias, alegriaCombina com o alecrim.
Folha de louroSucesso, proteçãoPode ser usada inteira, dobrada.
Oração escritaAmparo espiritualPapel branco, escrito à mão, dobrado em quatro.

Algumas pessoas acrescentam um pequeno objeto de significado pessoal, como uma medalhinha de santo da sua devoção ou um grão de cristal. Outras preferem apenas o sal e a oração. O ideal é usar poucos elementos, que você conheça e que tenham sentido para a sua fé. Quanto mais simples, melhor.

Leia também: Banho de arruda: para que serve, como fazer e cuidados

Como fazer um patuá de proteção simples

Este é um roteiro doméstico, de fé popular, sem fundamento de religião específica. Reserve um momento tranquilo, com a casa em silêncio e as mãos limpas.

Materiais

  • um pedaço pequeno de pano de algodão, feltro ou couro, com cerca de 10 por 10 centímetros (a cor é escolha sua; branco é a mais usada para proteção em geral);
  • linha, barbante ou fita para fechar;
  • uma pitada de sal grosso;
  • uma ou duas ervas secas à sua escolha (alecrim, manjericão ou louro; arruda só se você tiver segurança no manuseio);
  • um papel branco pequeno e uma caneta;
  • agulha e linha, se quiser costurar as bordas.

Passo a passo

  1. Escolha o momento. Não há dia nem hora obrigatórios. Algumas famílias preferem a manhã, com luz natural; outras, o fim do dia. O importante é fazer sem pressa.
  2. Prepare a oração. Escreva à mão, no papel, uma oração curta da sua religião ou com palavras suas. Um exemplo simples: “Que a luz me acompanhe, que a paz me guarde e que o bem esteja comigo onde eu for. Agradeço o cuidado que me protege.” Dobre o papel em quatro.
  3. Coloque o sal e as ervas no centro do pano, em pequena quantidade. Erva demais deixa o saquinho volumoso e difícil de fechar.
  4. Acrescente o papel dobrado.
  5. Una as pontas do pano e feche o saquinho com a linha ou com a costura, dando nós firmes. Faça uma pausa e pense com carinho na proteção que você deseja.
  6. Guarde com respeito: na bolsa, na carteira ou numa gaveta da casa, longe da umidade.

Alguns costumes populares pedem que o patuá seja entregue de presente por quem se importa com a pessoa, ou “benzido” por alguém de confiança da família. São costumes de fé; não são obrigatórios para que o objeto tenha sentido para quem o leva. Se a sua tradição pede outro gesto, siga o da sua tradição.

Para quem gosta de reforçar a intenção com uma oração falada, veja Oração forte contra mau-olhado e quebranto.

Patuá de couro, de crochê e de tecido

A forma do patuá varia muito, e a escolha do material é mais questão de gosto e de uso do que de regra:

  • Patuá de couro: é resistente, aguenta o dia a dia no bolso ou na bolsa e dura mais. É uma bolsinha costurada à mão ou fechada com cordão. Quem não usa produtos de origem animal pode optar por tecido ou feltro.
  • Patuá de crochê: muito comum em artesanato, é feito com linha de algodão em um saquinho pequeno, fechado com cordão. Quem sabe crochetar costuma fazer o seu, com a intenção de proteção durante o trabalho, o que dá sentido pessoal ao objeto.
  • Patuá de tecido: o mais simples. Pano de algodão cortado e costurado ou amarrado com fita.

Em qualquer material, o ponto de atenção é o tamanho e o fechamento: pequeno o bastante para carregar, bem fechado para que as ervas e o sal não vazem. Em tecidos finos, o sal pode atravessar o pano com a umidade; um papel dobrado por fora ou um forro simples ajuda.

Patuá de orixás e de entidades

Muita gente busca “patuá de orixá” ou “patuá de umbanda”. É preciso dizer com respeito: esses patuás pertencem à religião. Eles são preparados dentro da casa de santo ou do terreiro, por quem tem o fundamento, a iniciação e a responsabilidade para isso, e seguem as regras de cada casa e de cada tradição. Fazer esse tipo de preparo por conta própria, a partir de um texto da internet, é desrespeitar o que a religião considera sagrado e, para a própria pessoa, não garante nada.

Por isso, neste guia não descrevemos como preparar patuá de orixá ou de entidade. Se você tem a fé da Umbanda ou do Candomblé e sente necessidade de um objeto assim, o caminho é conversar com o sacerdote ou a sacerdotisa da sua casa, que saberá orientar. Se você ainda não frequenta e quer conhecer a religião, procure uma casa de confiança, onde as pessoas recebem visitantes com respeito e esclarecem as dúvidas.

O patuá popular simples, descrito acima, não tem a pretensão de substituir isso. Ele é uma forma caseira de fé, ligada à devoção e à tradição das famílias.

Como cuidar, quando trocar e como descartar

A tradição popular traz alguns costumes de cuidado, que variam de região para região:

  • Mantenha seco e limpo. Umidade estraga as ervas e faz o sal derreter. Evite tomar banho ou nadar com o patuá.
  • Guarde em lugar respeitoso. Na bolsa, em uma gaveta própria ou na cabeceira da cama. Evite deixá-lo no chão, no banheiro ou em lugar sujo.
  • Não é para abrir toda hora. Muitos costumes pedem que o saquinho seja mantido fechado. Se abrir para trocar o conteúdo, faça com calma e com a intenção de renovar.
  • Troque quando o material estragar. Pelas crenças populares, costuma-se renovar o patuá uma vez por ano, ou antes se o pano rasgar, as ervas mofarem ou o saquinho ficar sujo. Não há regra fixa.
  • Descarte com respeito. Agradeça a proteção que sentiu e devolva as ervas à terra, em um jardim ou vaso. O sal não deve ir para o vaso, porque prejudica as plantas: jogue-o em água corrente ou no lixo. O pano pode ser descartado normalmente. Papel com oração pode ser queimado com segurança ou rasgado e descartado, conforme a sua preferência.

Algumas pessoas acreditam que o patuá “se desgasta” ao absorver o peso de situações difíceis, e por isso o trocam depois de passar por uma fase complicada. É uma crença, e cada um decide como lidar com ela.

Leia também: Banho de sal grosso: para que serve, como fazer e cuidados

Cuidados e bom senso

Cuidado: o patuá é objeto de fé, não de tratamento. Ele não substitui médico, remédio, medidas de segurança nem atendimento diante de violência. Não coloque o patuá dentro da boca nem em contato com alimentos, não use as ervas para chá ou banho sem saber o que são, e não deixe ao alcance de bebês, crianças pequenas ou animais, porque o saquinho é pequeno e pode ser engolido ou causar engasgo. Quem tem alergia a plantas ou pele sensível deve evitar o contato direto, como arruda, que pode irritar.

  • Se você está com medo, ansioso ou sem dormir, o patuá pode ser um conforto simbólico, mas conversar com um profissional de saúde é o cuidado de verdade. Em crise, ligue para o CVV no 188.
  • Desconfie de quem promete resultados. Ninguém pode garantir que um patuá traga amor, dinheiro ou cure doenças, e quem cobra por isso e promete demais merece cautela.
  • Respeite as outras crenças. O patuá é um símbolo de fé para quem acredita, e pode ser tratado com respeito por quem não acredita.

Para complementar a proteção com outros cuidados do dia a dia, veja Defumação para limpeza da casa: como fazer com segurança.

Quem se interessa pela prática das orações, dos benzimentos e das tradições de proteção popular e quer estudar o tema com mais método pode se aprofundar em um curso próprio.

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O curso Benzimento apresenta a prática tradicional das rezas e das bênçãos de proteção, para quem quer estudar o tema com organização e respeito à tradição popular.

Perguntas frequentes

O que é patuá?

É um pequeno saquinho fechado, de pano ou de couro, com elementos simbólicos de proteção, como sal grosso, ervas secas e uma oração escrita. É um amuleto da tradição popular e afro-brasileira, usado como objeto de fé. Não tem comprovação científica de eficácia.

O que colocar dentro de um patuá de proteção?

Na versão popular simples, costuma-se usar uma pitada de sal grosso, uma ou duas ervas secas (alecrim, manjericão ou louro) e uma oração escrita à mão em papel branco. Quanto menos elementos, melhor. Patuá de orixá ou de entidade é preparado dentro da casa religiosa.

Posso fazer um patuá de umbanda em casa?

Patuás ligados a orixás e a entidades pertencem à religião e são preparados na casa de santo, por quem tem fundamento. Por respeito, o ideal é procurar o sacerdote ou a sacerdotisa da sua casa. Em casa, você pode fazer o patuá popular simples, de fé e proteção geral.

Quando trocar o patuá?

Não há regra única. A tradição popular costuma renovar uma vez por ano, ou antes se o pano rasgar, o saquinho ficar sujo ou as ervas mofarem. Agradeça a proteção, devolva as ervas à terra e descarte o sal em água corrente ou no lixo.

Patuá de couro ou de crochê: qual é melhor?

Nenhum é melhor do que o outro. O de couro é resistente, o de crochê é artesanal e feito com carinho, e o de tecido é o mais simples. A escolha é de gosto e de uso. O importante é que fique bem fechado, seco e guardado com respeito.

Patuá protege de verdade?

Para quem tem fé, é um símbolo de amparo e de proteção, e traz conforto. Não há prova científica de que um objeto proteja de males, e ele nunca substitui cuidados reais com saúde e segurança. Diante de doença, medo intenso ou violência, procure ajuda profissional.