Oxum é o orixá das águas doces, dos rios e das cachoeiras, ligada ao amor, à fertilidade, à gestação, à beleza e à riqueza. É cultuada no Candomblé e na Umbanda, e seus símbolos mais conhecidos são o amarelo, o ouro e o espelho, chamado de abebé.
Este artigo reúne o que é de conhecimento público sobre Oxum, com respeito às religiões de matriz africana. Tudo o que muda de uma casa para outra (cores, nomes, histórias, sincretismo) aparece aqui como variação, porque cada terreiro tem os seus fundamentos. Você vê quem ela é, o que se diz dos filhos de Oxum, e como ela se relaciona nas histórias com Oxóssi, Ogum, Iemanjá e Iansã.
Antes de ler: Candomblé e Umbanda são religiões vivas e diferentes entre si. O que é fundamento de cada casa (qual é o seu orixá, quais são as suas obrigações, o que se oferece e como) é ensinado dentro do terreiro, por quem tem a responsabilidade religiosa, e não por um texto na internet. Aqui você encontra informação geral, e não um guia de prática.
Neste artigo:
- Quem é Oxum
- Oxum no Candomblé e na Umbanda
- Cores, abebé, saudação e sincretismo
- Filhos de Oxum: características
- Filha de Oxum: como saber
- Oxum e Oxóssi
- Ogum e Oxum
- Iemanjá e Oxum
- Iansã e Oxum
- Como se aproximar com respeito
- Perguntas frequentes
Quem é Oxum
O culto a Oxum tem origem iorubá, no sudoeste da atual Nigéria, onde existe um rio de mesmo nome. Na cidade de Osogbo fica o bosque sagrado de Osun, reconhecido pela UNESCO como patrimônio mundial. Com os africanos que foram trazidos à força para o Brasil, a devoção atravessou o Atlântico e se manteve, sobretudo nos terreiros, onde Oxum segue sendo louvada como senhora dos rios e das cachoeiras.
Nas descrições mais comuns, Oxum cuida do que é doce e do que dá continuidade à vida: o amor, a união, a fertilidade, a gestação e as crianças. Também aparece ligada ao ouro, à riqueza e à vaidade, no sentido do cuidado de si. Costuma-se dizer que a doçura de Oxum não é fraqueza, e que ela traz consigo inteligência, firmeza e uma força que sabe esperar.
As histórias dos orixás, chamadas de itãs, são transmitidas pela oralidade e existem em muitas versões. Por isso este texto conta só o que é comum a elas, sem escolher uma versão como a única.
Oxum no Candomblé e na Umbanda
Candomblé e Umbanda são religiões diferentes, embora cultuem orixás. O Candomblé mantém tradições trazidas da África, organizadas em nações como Ketu, Jeje e Angola, e cada nação tem seus nomes, cantos e rituais. A Umbanda nasceu no Brasil, no início do século XX, reunindo influências de matrizes africanas, do catolicismo, do espiritismo e de tradições indígenas, e trabalha com guias e entidades, como caboclos, pretos-velhos e crianças.
No Candomblé, Oxum é um dos orixás cultuados no barracão, com iniciação, obrigações e festas próprias. Na Umbanda, em muitas casas, ela é entendida como a força das águas doces e da cachoeira, regendo uma linha de trabalho, e as manifestações costumam ser de guias ligados a essa energia, e não do próprio orixá. Esse entendimento muda de casa para casa, e a pessoa que frequenta um terreiro aprende ali a forma dele.
Em nações de matriz bantu, as divindades têm outros nomes, e as correspondências com os orixás iorubás são feitas de modos diferentes em cada tradição.
Leia também: Benzimento: o que é, como é feito e os benzimentos antigos
Cores, abebé, saudação e sincretismo
Os símbolos de Oxum que aparecem com mais frequência são estes. Lembre que nenhum deles é regra universal:
| Elemento | O que costuma ser dito |
|---|---|
| Cor | Amarelo e dourado são as cores mais citadas. Algumas casas usam tons diferentes ou combinações próprias. |
| Objeto | O abebé, um leque de metal com espelho, associado à beleza e à vaidade. |
| Metal | O ouro e o latão, ligados à riqueza e ao brilho. |
| Elemento | Rios, cachoeiras e águas correntes e doces. |
| Saudação | “Ora yê yê ô” é a saudação mais conhecida. Existem outras formas, conforme a nação e a casa. |
O sincretismo é um fato histórico. Durante a escravidão, o culto aos orixás foi proibido e perseguido, e os africanos e seus descendentes associaram cada orixá a um santo católico, o que permitia continuar a devoção sob a aparência de outra. No caso de Oxum, em muitos lugares a associação é com Nossa Senhora da Conceição, em outros com Nossa Senhora Aparecida, e em outros ainda com Nossa Senhora das Candeias. Isso varia por região e por casa. Hoje muitos terreiros, principalmente de Candomblé, separam as duas fés e afirmam que orixá não é santo.
Filhos de Oxum: características
Na tradição dos terreiros, cada pessoa é considerada filha de um orixá, o seu dono da cabeça, e diz-se que ela carrega traços do arquétipo dele. Essas descrições passam de geração em geração e não são um diagnóstico de personalidade. Servem como imagem, e muita gente de outros orixás se reconhece nelas, e muita gente de Oxum não.
O que mais se atribui aos filhos de Oxum:
- Sensibilidade, com emoções intensas e facilidade em se magoar.
- Charme, simpatia e jeito diplomático para lidar com as pessoas.
- Cuidado com a aparência e gosto por beleza, conforto e coisas bem feitas.
- Ligação forte com a família, com os filhos e com o afeto.
- Atenção ao dinheiro e à prosperidade, muitas vezes com bom faro para o que vale a pena.
- Dificuldade com o confronto aberto e com a solidão.
Repare que a lista mistura qualidades e dificuldades, como qualquer retrato humano. Quem se identifica com ela não está obrigado a nada, e quem não se identifica não deixa de ser filho de Oxum se for esse o seu orixá. A pessoa pode também ter um segundo orixá importante, o juntó, que compõe o seu jeito.
Filha de Oxum: como saber
A resposta honesta é que quem diz é a religião, e não um teste. No Candomblé, o orixá de cabeça é identificado pelo pai ou pela mãe de santo, em geral por meio do jogo de búzios, e confirmado ao longo da iniciação. Na Umbanda, o caminho varia: algumas casas falam em orixá de frente e orixás de acompanhamento, e é o dirigente ou a entidade da casa quem orienta.
Os sinais que circulam na internet (gostar de ouro, de água, de se arrumar, de ser querida) divertem, mas não definem nada. Existe também o risco de a pessoa se ver como filha de Oxum só porque gostou da imagem, e depois ser confrontada pelo que a religião de fato pede. Se a curiosidade é séria, o melhor é visitar uma casa aberta ao público, conversar com respeito e deixar o tempo mostrar.
Ser filha de Oxum também não é destino, nem promessa de amor ou de riqueza. É uma relação com uma divindade, que tem deveres, regras e responsabilidades.
Oxum e Oxóssi
Oxóssi é o orixá caçador, senhor das matas e da fartura. Nas histórias, Oxum e Oxóssi aparecem juntos em várias versões, e em muitas tradições do Candomblé e da Umbanda Logunedé é descrito como filho de Oxum com Oxóssi, o príncipe que divide a vida entre a mata do pai e o rio da mãe. Há versões que contam de outra forma, e este é só o relato mais difundido.
Quando alguém diz que é “filho de Oxum com Oxóssi”, em geral quer dizer que um dos dois é o seu orixá de cabeça e o outro é o juntó, o que combina o lado afetivo e o lado de mata, observação e liberdade. O jeito de falar muda de casa para casa, e o dito pelo pai ou mãe de santo vale mais do que qualquer artigo.
Ogum e Oxum
Ogum é o orixá do ferro, da guerra e dos caminhos. As histórias sobre ele e Oxum são contadas de maneiras diferentes: em algumas versões são companheiros, em outras são aliados, e há versões em que a relação nem existe. Uma das mais contadas fala de um Ogum afastado do convívio e de uma Oxum que o traz de volta pela delicadeza. É uma versão entre várias.
O que muita gente enxerga nessa dupla é o contraste que se completa, a força que abre caminho e a doçura que sabe conduzir. É uma leitura simbólica, e cada casa conta a história do seu jeito.
Iemanjá e Oxum
As duas são orixás das águas, e é daí que vem a pergunta mais comum: qual é a diferença? Oxum rege as águas doces, o rio e a cachoeira, enquanto Iemanjá é associada ao mar e à maternidade ampla, a mãe de muitos. Têm cores, saudações e símbolos diferentes, e são orixás distintos, sem ser uma versão da outra.
Quanto ao parentesco, as versões variam. Em algumas histórias aparecem como mãe e filha, em outras como irmãs, em outras sem relação de família. Não há uma resposta única, e quem afirma uma só está simplificando. O que é comum a todas é que se tratam como figuras femininas de grande respeito, cada uma no seu domínio.
Iansã e Oxum
Iansã é a senhora dos ventos e das tempestades, e a relação dela com Oxum é uma das mais comentadas. Em várias histórias as duas aparecem ligadas a Xangô, e há versões que falam em disputa e outras que falam em respeito entre elas. Vento e água, trovão e rio: a imagem agrada, e muitas vezes vira rótulo.
Vale um cuidado: dizer que “filha de Iansã e filha de Oxum não se dão bem” é uma generalização popular, e não fundamento religioso. Pessoas são pessoas, e a ligação com um orixá não decide como alguém trata o outro. Se você ouviu isso de alguém, trate como brincadeira ou como opinião, e não como regra.
Como se aproximar com respeito
Quem quer conhecer Oxum de verdade pode começar de forma simples e honesta:
- Visite uma casa que receba o público. Muitos terreiros de Umbanda têm sessões abertas. No Candomblé, as festas costumam seguir regras da casa, e o certo é perguntar se pode ir.
- Pergunte antes de fotografar, filmar ou entrar em algum espaço. O que é sagrado para a casa não é cenário.
- Ouça mais do que fale. O pai ou a mãe de santo conhece a história e os fundamentos da sua casa, e você aprende melhor sem pressa.
- Não peça “trabalhos” para controlar ou prejudicar ninguém. O amor de Oxum, nas descrições que circulam, é afeto, união e cuidado, e não posse sobre outra pessoa. Quem promete isso não representa os terreiros sérios.
- Cuide da água. Se você vai a um rio ou uma cachoeira, leve o lixo de volta. Plástico, vidro, embalagem e fita sintética não têm lugar na água de ninguém, nem como gesto de devoção.
No Brasil, discriminar alguém pela religião é crime, e os terreiros ainda sofrem com a intolerância. Falar de Oxum com respeito já é uma forma de combatê-la. Se o assunto é o seu interesse, leia também o artigo sobre banho de ervas espiritual, que trata de uma prática popular com cuidados, e o guia de cores das velas e seus significados. Nenhum dos dois substitui a orientação de uma casa de santo.
Outros orixás: Ogum · Iemanjá · Oxóssi · Xangô
Conhecer a tradição do benzimento
O curso de Benzimento apresenta a tradição popular brasileira das rezas e das benzeduras, que convive com a fé e a cultura do país. Ele não ensina os fundamentos de Umbanda ou de Candomblé, que se aprendem dentro dos terreiros, mas pode ajudar quem quer entender melhor a devoção popular.
Perguntas frequentes
Quem é Oxum?
Oxum é o orixá das águas doces, dos rios e das cachoeiras, ligada ao amor, à fertilidade, à gestação, à beleza e à riqueza. É cultuada no Candomblé e na Umbanda, com formas e fundamentos que variam de casa para casa.
Qual é a cor de Oxum?
O amarelo e o dourado são as cores mais citadas. Algumas casas usam tons ou combinações diferentes, e o certo é seguir o que a sua casa de santo orienta.
Oxum é Nossa Senhora Aparecida?
Depende da região e da casa. Em muitos lugares, Oxum é associada a Nossa Senhora da Conceição, em outros a Nossa Senhora Aparecida ou a Nossa Senhora das Candeias. Esse sincretismo nasceu da repressão ao culto dos orixás, e muitos terreiros hoje afirmam que orixá e santo são coisas distintas.
Como saber se sou filha ou filho de Oxum?
Quem identifica o orixá de cabeça é a religião, e não um teste. No Candomblé, isso é feito pelo pai ou pela mãe de santo, em geral por meio do jogo de búzios. Na Umbanda, o caminho varia conforme a casa. Listas de características servem como curiosidade e não definem ninguém.
Oxum e Iemanjá são a mesma coisa?
Não. São orixás diferentes. Oxum é associada às águas doces, como rios e cachoeiras, e Iemanjá ao mar. As histórias sobre o parentesco entre elas variam, e não há uma versão única.
Qual é a saudação de Oxum?
“Ora yê yê ô” é a saudação mais conhecida. Dependendo da nação e da casa, existem outras formas de saudar, e vale perguntar à sua casa de santo.

Apaixonada por espiritualidade e praticante há mais de 15 anos. Já trabalhei nos mais diversos sites e hoje escrevo para o Instituto Terapias de Luz

