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Benzimento: o que é, como é feito e os benzimentos antigos

Mesa rústica com ramos de arruda e guiné, terço, copo de água e vela acesa

Benzimento é a prática popular de benzer, isto é, de pedir uma bênção para uma pessoa, uma criança, um animal, uma casa ou um objeto, com orações, gestos e, muitas vezes, um ramo de planta. Quem benze é chamado de benzedeira ou benzedor, e a palavra “benzer” vem da ideia de tornar bento, abençoar. É uma tradição popular brasileira, ligada à fé e ao cuidado entre vizinhos, parentes e comunidades.

Os benzimentos antigos mais procurados, como os de quebranto, susto, cobreiro, vermes, carne rasgada e rendidura, fazem parte dessa memória. Aqui você vê cada um explicado como tradição, sem receita e sem copiar reza de ninguém, e com um aviso que vale mais do que tudo: o benzimento acompanha o cuidado com a saúde, não o substitui. O cobreiro, por exemplo, costuma ser o herpes-zóster e pede médico, e criança com febre, diarreia ou choro que não passa vai ao pediatra.

Neste artigo:

O que é benzimento

Benzimento é o ato de abençoar. Na prática, é um momento curto de atenção e de fé: a pessoa que benze se concentra, faz o sinal da cruz ou outro gesto, reza em voz baixa e pede proteção e alívio para quem está diante dela. É um gesto de acolhimento que atravessa gerações: a avó que benzia o neto, a vizinha a quem se pedia ajuda.

Segundo a página do curso de Benzimento do Instituto Terapias de Luz, benzer é tornar algo bento ou abençoar, um ato de fé prática. Há benzimentos para a casa, as crianças, os animais de estimação, as plantas, o corpo e o espírito. Quem pratica acredita que as palavras ditas com fé têm força, e tudo o que segue deve ser lido como crença e tradição. Não há comprovação científica de que o benzimento cure doenças.

De onde vem e quem benze

O benzimento é uma prática antiga, presente em muitas culturas. No Brasil, segundo a página do curso do Instituto, ela ganhou força no período da colonização, com os imigrantes que chegaram, e se juntou ao que os povos indígenas já faziam, com seus próprios cantos e orações de cura. Os benzimentos do curso têm origem no sul da Espanha, em Portugal e no Brasil.

Na tradição, duas figuras aparecem com frequência: as parteiras, mulheres que acompanhavam os partos e para quem um bom parto também se fazia rezando, e os benzedeiros, que benziam com as mãos ou com algum objeto de sua preferência. Onde o médico ficava longe, essas pessoas eram o primeiro apoio da comunidade. Hoje, o papel de quem benze é oferecer conforto, escuta e fé, ao lado do atendimento médico.

Leia também: Oração forte contra mau-olhado e quebranto

Como é um benzimento, em linhas gerais

Cada benzedeira tem o seu jeito, e o que se aprende em casa de uma pode ser diferente do que se aprende na de outra. Em linhas gerais, a tradição descreve um caminho parecido:

  1. A conversa. A pessoa conta o que a incomoda, e quem benze escuta. Esse momento já acalma muita gente.
  2. A concentração. Quem benze respira, se recolhe e pede a Deus, aos santos ou à sua fé a bênção para aquela pessoa.
  3. O gesto. Faz-se o sinal da cruz com a mão ou com um ramo, passando-o sobre o corpo, sem pressão e sem tocar em machucado.
  4. A reza. A oração é dita baixinho, e a tradição costuma repetir o gesto três vezes.
  5. O fim. Encerra-se com um agradecimento e, quase sempre, com o sinal da cruz.

Ramos, ovo, copo de água e outros recursos

Os objetos usados variam de região para região, e nenhum deles é indispensável. Os mais citados são:

  • Ramos de planta. São passados no ar ao redor da pessoa. Costuma-se usar arruda, guiné, alecrim e manjericão, entre outras. Algumas plantas irritam a pele, e a arruda é desaconselhada para gestantes. O ramo serve para o gesto: nunca se come nem se bebe.
  • Ovo. Na tradição, o ovo cru é passado no corpo e depois colocado num copo de água, e o formato que ele toma é lido como sinal. É leitura de crença, sem base científica. Ovo cru pode ter bactérias: lave as mãos e descarte o ovo, sem comer.
  • Copo de água. Usado para “receber” o que incomodava e depois descartado, geralmente no ralo ou na terra.
  • Fita, pano e linha. Aparecem em benzimentos de rendidura e de cobreiro.
  • Altar e vela. Há quem benza diante de uma imagem de santo ou de uma vela. Acenda-a em superfície firme, longe de cortinas, e nunca a deixe sozinha.

Leia também: Patuá de proteção: o que é, o que leva dentro e como fazer um simples

Benzimentos antigos mais procurados

São os temas que mais aparecem nas buscas. Cada um é explicado como a tradição o entende e traz o que a medicina diz. Não reproduzimos rezas de benzedeiras, que pertencem a quem as recebeu e ensinou, nem damos receita de nada para tomar ou aplicar.

Benzimento de quebranto (mau-olhado)

Na tradição popular, quebranto é o efeito do mau-olhado, em especial sobre crianças e bebês. Fala-se em choro sem motivo, moleza, sono agitado e falta de apetite. O benzimento de quebranto costuma ser feito com ramo e oração, em geral três vezes. Os sinais atribuídos ao quebranto, porém, são os mesmos de muita doença comum na infância. Por isso, a criança que está mole, que recusa o leite, que chora muito ou que tem febre deve ser vista por um pediatra, antes e junto com qualquer benzimento.

Benzimento para susto

O “susto” é, na tradição, o abalo que uma pessoa, principalmente uma criança, sofre depois de uma queda, de um barulho forte ou de um medo. Diz-se que a criança fica quieta, chora à noite e dorme mal. Quem benze acalma a pessoa e “chama de volta” o que se assustou. Assim como no quebranto, esses sinais podem ser de doença, de dor de ouvido, de problema de sono ou de uma queda que machucou mais do que parece. Depois de uma pancada na cabeça, vômito, sonolência exagerada ou choro que não cessa pedem pronto-socorro.

Benzimento de cobreiro

O cobreiro é o nome popular de uma doença de pele que, na maioria dos casos, corresponde ao herpes-zóster, causado pelo mesmo vírus da catapora, que fica no corpo depois da doença. Aparece como bolhas dolorosas, em faixa, geralmente de um lado só, às vezes com ardor antes das bolhas. A tradição benze o local com ramo ou linha e reza. Mas é uma doença que precisa de avaliação médica logo no início: há tratamento, que funciona melhor quando começa cedo, e a dor pode durar. Se as bolhas estiverem perto do olho, do rosto ou da orelha, a pressa é maior. Não passe plantas nem receitas caseiras sobre as bolhas.

Cuidado: cobreiro (herpes-zóster) é doença que pede médico. O benzimento pode confortar, mas não trata a infecção, e adiar a consulta pode piorar a dor e as sequelas.

Benzimento com ovo

É um dos mais conhecidos: o ovo é passado no corpo da pessoa, quebrado num copo com água, e a forma da clara e da gema é “lida” por quem benze. Na crença popular, serve para “descarregar” o mau-olhado e a inveja. É uma tradição de leitura simbólica, sem comprovação. Cuidado com as bactérias do ovo cru, não passe em pele ferida e descarte o ovo sem consumir.

Benzimento para criança

É o benzimento mais comum, e também o que pede mais atenção. Em geral, a mãe ou a avó leva a criança para quebranto, susto ou “barriga ruim”. A bênção é um gesto de carinho; o ponto de atenção é o tempo, porque bebê e criança pequena pioram rápido. Febre, diarreia, vômitos, choro persistente, recusa de mamar ou de beber, moleza, respiração rápida ou sinais de desidratação (boca seca, pouco xixi, olhos fundos) pedem atendimento no mesmo dia, sem esperar o benzimento fazer efeito.

Benzimento para acalmar vermes

Na tradição, quem benze “acalma a bicha” ou “os vermes” de crianças com dor de barriga, coceira e inquietação. As verminoses são infecções por parasitas, e o tratamento é feito por médico, com o remédio adequado. Barriga que dói muito, diarreia, febre, perda de peso, vômito ou criança desidratada vão ao pediatra. Chá, garrafada e remédio caseiro não devem ser dados a criança sem orientação médica.

Benzimento de carne rasgada e rendidura

“Carne rasgada”, “carne quebrada” e “rendidura” são nomes populares para a dor que vem depois de um esforço, de uma torção ou de levantar peso: o que hoje se chama de distensão ou lesão muscular. Na tradição, a benzedeira costura simbolicamente um pano ou uma linha enquanto reza, como se juntasse de volta o que se rompeu. Mas dor forte, inchaço, hematoma, dificuldade de mover o braço ou a perna, ou dor depois de uma queda ou pancada precisam de avaliação médica, porque podem ser ruptura de músculo ou até fratura.

Leia também: Salmo 91 completo: significado, proteção espiritual e como usar no dia a dia

Benzimento e saúde: quando procurar médico

A regra é simples: o benzimento acompanha o tratamento, e nunca o substitui. Quem benze com respeito entende isso. O quadro resume o que a tradição chama de uma coisa e o que pode estar por trás.

Nome popularO que pode serQuando procurar atendimento
CobreiroHerpes-zósterAo primeiro sinal de bolhas ou dor em faixa; com urgência se perto do olho ou do rosto
Quebranto e susto em criançaInfecção, dor de ouvido, problema de sono, quedaFebre, choro persistente, moleza, recusa de mamar, vômito ou pancada na cabeça
Vermes (“bicha”)Verminose e outras causas de dor de barrigaDor forte, diarreia, febre, vômito ou desidratação
Carne rasgada, rendiduraDistensão ou lesão muscular; às vezes fraturaDor forte, inchaço, hematoma ou perda de movimento
Cansaço, tristeza, insôniaEstresse, ansiedade, depressão ou doença físicaSintoma que dura ou atrapalha a vida; o CVV atende pelo 188 a qualquer hora

Uma bênção curta para dizer com a sua fé

Uma bênção não precisa de palavras antigas para ter sentido. Abaixo vai uma oração curta, escrita para este artigo, que você pode adaptar à sua crença:

“Que a luz de Deus envolva esta pessoa. Que o medo se afaste, que o corpo descanse e que a paz fique. Que o cuidado certo chegue na hora certa, e que a gratidão guarde o que foi bom. Amém.”

Respire fundo, faça o sinal da cruz (ou o gesto da sua tradição) e diga a bênção com calma. Se quiser outras orações de proteção, veja Oração contra inveja: 5 orações curtas para proteção.

Como escolher quem benze

Há benzedeiras e benzedores sérios, e há quem se aproveite da fé dos outros. Alguns sinais ajudam a desconfiar:

  • quem promete cura ou garante resultado;
  • quem manda parar o remédio ou desmarcar a consulta;
  • quem cobra valores altos, cria medo ou diz que “só o trabalho resolve”;
  • quem pede segredo, isolamento ou algo que a pessoa não se sente confortável em fazer;
  • quem manda ingerir plantas, garrafadas ou misturas sem conhecer o histórico de saúde da pessoa.

Um bom sinal é o oposto: humildade, escuta e incentivo a cuidar da saúde com o médico.

Como aprender benzimento

Tradicionalmente, o benzimento se aprende dentro de uma linhagem: quem sabe e foi preparado ensina quem precisa. Hoje também há quem prefira estudar de forma organizada, para entender o sentido dos gestos, os cuidados e os limites da prática.

O Curso de Benzimento do Instituto Terapias de Luz segue essa linha. De acordo com a página do curso, ele é 100% online, com certificado de 60 horas reconhecido pela ABRATH, 15 videoaulas e 3 apostilas, e não exige experiência. O primeiro módulo, “A arte de benzer”, trata de temas como o que é o benzimento, quem pode benzer, se há risco ao benzer, o cruzar, o que usar, o que se pode benzer, se o benzimento pertence a alguma religião, a simbologia dos objetos e o altar. O segundo, “A magia dos Salmos”, ensina a calcular o salmo material, o espiritual e o pessoal. O terceiro, “A prática”, aborda a postura da benzedeira e o autobenzimento, e é liberado após 7 dias. Há ainda um módulo bônus sobre chakras, com a medição e a harmonização por pêndulo.

O curso é conduzido pelo professor Mário Rodrigues, o Mestre Marius, e a página informa que há um grupo de alunos no WhatsApp para tirar dúvidas. É um estudo de tradição e espiritualidade, que não substitui o acompanhamento médico.

Aprenda a benzer com método
Se você quer estudar as orações, os salmos e a prática do benzimento com acompanhamento de um professor, conheça o Curso de Benzimento do Instituto Terapias de Luz, online e sem exigir experiência anterior.

Perguntas frequentes

O que é benzimento?

É a prática popular de abençoar uma pessoa, um animal, uma casa ou um objeto, com oração, gesto e, muitas vezes, um ramo de planta. É uma tradição brasileira de fé e de cuidado, e não substitui o atendimento de saúde.

Benzimento funciona?

Para muita gente, o benzimento traz conforto e amparo, e isso tem valor. Mas não há comprovação científica de que ele cure doenças. Por isso, ele caminha ao lado do médico, nunca no lugar dele.

Cobreiro se cura com benzimento?

Não há base para afirmar isso. O cobreiro costuma ser o herpes-zóster, que tem tratamento médico, mais eficaz quando começa cedo. Procure um médico logo que aparecerem as bolhas ou a dor em faixa e, se quiser, receba o benzimento como apoio.

Posso levar meu filho para benzer?

Pode, desde que a criança esteja bem. Se tiver febre, diarreia, vômito, choro que não passa, moleza, recusa de mamar ou pancada na cabeça, a primeira parada é o pediatra. O benzimento é um gesto de carinho e fé, e não trata infecção nem parasita.

Benzimento é uma religião?

Não é uma religião própria. No Brasil, o benzimento se mistura com a fé católica popular, com tradições indígenas e afro-brasileiras e com outras espiritualidades, e cada benzedeira tem a sua. Quem benze costuma pedir a bênção a Deus ou aos santos de sua devoção. Se isso combina com a sua crença, só você pode decidir.

Dá para aprender benzimento online?

Dá para estudar de forma organizada. De acordo com a página do curso do Instituto, ele é 100% online, com videoaulas e apostilas, certificado de 60 horas, e não exige experiência. A vivência com uma benzedeira, porém, nenhum curso substitui.